Artigo: a Importância da prescrição correta de medicamentos para animais

POR JAILSON HONORATO

A vida é o grande dom da natureza e o cuidado sobre ela depende de questões emocionais, culturais, éticas, técnico-científicas e econômicas. No último artigo que escrevi, abordei sobre os 250 anos da Medicina Veterinária e, após todo esse tempo, o progresso tem sido muito grande. Muitas áreas dessa profissão progrediram bastante e, entre outras, está a Farmacologia.

Os conhecimentos da Farmacologia permitem ao Médico Veterinário distinguir-se do leigo, pois enquanto este último medica sem nenhum conhecimento de causa e efeito, aquele pode até mesmo prever o que ocorrerá com o organismo animal, uma vez que prescreve o medicamento de forma adequada, tanto quanto a forma de administração, quanto a correta indicação terapêutica.

O arsenal farmacológico existente é muito amplo, porém o uso destes medicamentos deve ser racional. Desde a descoberta dos primeiros antibióticos, muitas outras substâncias também surgiram e, para animais, nunca é demais dizer que sua venda e aplicação somente se for sob a prescrição e orientação do Médico Veterinário.

Os recursos terapêuticos vão desde antibióticos e vermífugos, passando por anti-inflamatórios e corticóides, analgésicos, diuréticos, além de remédios que atuam no trato gastro-intestinal e reprodutivo.

Todos apresentam efeitos benéficos ou maléficos, dependendo, entre outros fatores, da dose, da via de administração e especificamente, do medicamento em questão. Por exemplo, alguns anti-inflamatórios podem causar maior ou menor efeitos colaterais no estômago e nos rins, de acordo com a classe a que pertencem, se esteróides ou não-esteróides.

Sem dúvida nenhuma, os fatores mais importantes envolvidos em falhas nos tratamentos de doenças em animais e utilização indiscriminada de antibióticos veterinários, é o surgimento e a proliferação de bactérias resistentes, que desenvolvem capacidade de resistir a múltiplos antibióticos.

Outro problema na utilização de antibióticos e vermífugos em animais são os resíduos dessas substâncias que podem se acumular na carne e no leite. O tratamento de doenças animais não deve deixar resíduos nos tecidos animais, especialmente após a fase de carência, que é o período compreendido entre a suspensão do medicamento antes do abate e consumo da carne ou leite.

A proliferação das superbactérias, resistentes aos fármacos, e a permanência de resíduos de medicamentos nos alimentos de origem animal deve ser uma preocupação constante por parte dos pesquisadores, em virtude das possíveis consequências para o homem.

A produção animal tem experimentado grande evolução produtiva nas últimas décadas e, esses incrementos, são resultantes de modificações substanciais no manejo, seleção genética, progressos na nutrição animal e erradicação de muitas doenças infecto-contagiosas. Mas claro que grande parte desses avanços zootécnicos foram devidos também ao emprego de diversos fármacos, onde muitos são usados como medicamentos preventivos na alimentação animal e outros tantos para o tratamento das doenças infecciosas e parasitárias. A saúde dos animais deve ser buscada, mas devemos estar atentos para enfrentar tais desafios, não menos importantes que suas enfermidades

*Médico Veterinário, mestre em Ciência Veterinária, professor de Farmacologia e Anestesiologia Veterinária na Universidade Estadual do Maranhão – Campus de Imperatriz
E-mail: jailson@cesi.uema.br