Criar boi na sombra faz produtividade crescer no campo

Diego Leonardo Boaventura

Pesquisas do Centro para la Investigación en Sistemas Sostenibles de Producción Agropecuária (CIPAV), na Colômbia, comprovam que o gado criado na sombra, em pastagens que possuem árvores para amenizar o calor, tem uma menor temperatura corporal, consequentemente, consome menos água e produz mais carne e leite por animal/hectare. As árvores funcionam como um abrigo ao animal, protegendo-o do excesso de radiação e diminuindo o stress ocasionado pelas altas temperaturas. Em pastagens com árvores, a temperatura é de 2 a 3 graus mais amena. Segundo pesquisa realizada pelo doutor em Sistemas Agrícolas, Jairo Mora Delgado, em dias frios os animais andam em média 8.500 metros, enquanto que em dias quentes apenas 6.200 metros.

De acordo com estudos da Embrapa, a sombra natural em pastagens, obtida com o plantio ou preservação de árvores, garante o conforto para o gado, mas também traz outras vantagens para produtor rural, entre as quais se incluem: ajuda no controle de erosão e melhoramento da fertilidade do solo, melhora o aproveitamento da água da chuva, melhora a produção e a qualidade da forragem, favorece a produtividade das vacas em lactação e a reprodução animal.

Esse sistema de produção pecuária em que ocorre a integração da pastagem com árvores é denominado Sistema Silvipastoril. Ainda segundo a Embrapa, o Sistema Silvipastoril (SSP) é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área, ao mesmo tempo, e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área. Nesses sistemas, ocorrem interações em todos os sentidos e em diferentes magnitudes.

Forrageiras
“Quando dispomos de uma pastagem com apenas um tipo de gramínea, esse sistema é frágil, susceptível a pragas e doenças. O que fazemos então? Introduzimos forrageiras arbustivas como a Leucena e Botão de Ouro e plantamos árvores, preferencialmente leguminosas, ao longo das cercas. Dessa forma, criamos um ambiente mais diversificado e resistente ao ataque de pragas, doenças e, sobretudo, a seca”, destaca o engenheiro agrônomo Amaury Cezar Macedo, membro do Centro Brasileiro de Pecuária Sustentável (CBPS).

Os SSPs apresentam grande potencial de benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a sociedade. São sistemas multifuncionais, onde existe a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais evitando sua degradação, além de recuperar sua capacidade produtiva. Por exemplo, a criação de animais com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono, diversificar a produção, aumentar a renda e a biodiversidade e melhorar o conforto dos animais.

Inúmeras pesquisas foram realizadas na Colômbia mostrando a produtividade animal em diferentes sistemas produtivos.

Como podemos observar na tabela, o SSPi + Madeira – Sistema Silvipastoril Intensivo com mais árvores para produção de madeira – obteve uma carga animal de 4,7 animais por hectare. Em visita técnica, o engenheiro agrônomo viu tudo isso de perto. No ano de 2011, Amaury Cezar foi convidado pelo CBPS para participar de um curso na Colômbia – Cali promovido pela Universidade de Yale/ELTI. “Lá vi alguns conceitos técnicos e fui apresentado a algumas alternativas de Pecuária rentável e sustentável”, conclui. Ele retorna em maio para a Colômbia, em uma visita de 15 dias, com a finalidade de concluir o curso.

Hoje, o Centro Brasileiro de Pecuária Sustentável (CBPS), com sede em Imperatriz-MA, está implantando um projeto piloto na Fazenda Pantera – em Dom Eliseu-PA -, de propriedade do pecuarista João Ernesto Feuerstein. O objetivo é apresentar aos produtores da região uma alternativa em relação à pecuária tradicional.