Entrevista: Cláudio Azevedo fala sobre o agronegócio do MA

Secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão

Cláudio Donisete Azevedo nasceu em 01 de setembro de 1955 em Paraguaçu Paulista (SP) e está radicado no Maranhão desde 1978. É formado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e esteve à frente por 14 anos da Associação dos Criadores do Estado do Maranhão (ASCEM). Como presidente da Associação dos Criadores do Estado do Maranhão, liderou campanhas contra a febre aftosa para elevar a classificação sanitária do Estado, que saiu de risco desconhecido para médio risco em 2007. A luta contra a febre aftosa também fez com que Cláudio Azevedo convencesse o Governo do Estado a criar a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Maranhão (AGED).

Como empresário, Cláudio Azevedo foi diretor administrativo-financeiro das empresas do Grupo Schahin-Cury no Maranhão, presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Maranhão (SIFEMA) e da Associação das Siderúrgicas do Brasil (ASIBRAS), em Brasília, e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão. Essa experiência fez-lhe reconhecido na classe empresarial maranhense que o elegeu presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão, cargo pelo qual responde até 2014. Para o Diário da Fazenda, Cláudio Azevedo concedeu entrevistas sobre as prioridades do agronegócios do MA.

Por Diário da Fazenda

O que o Estado vem fazendo para ser reconhecido como área livre de febre aftosa? Quais as etapas de trabalho para isso?

A Sagrima e a Aged vem desde o ano passado realizando uma série de ações visando a estruturação de toda a atenção veterinária, por meio da reestruturação dos escritórios da Aged, atendendo a uma série de exigências feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que o Maranhão se torne zona livre de febre aftosa. Nas duas últimas campanhas de vacinação contra a doença foram batidos recordes no índice de cobertura vacinal, atingindo 97% do rebanho maranhense na segunda etapa da campanha, realizada no período de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2011.

O governo do Estado aprovou ainda o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos técnicos de Fiscalização Agropecuária da Aged, beneficiando 318 servidores da Aged.

Todo esse trabalho foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que atribuiu ao Maranhão a maior nota na auditoria realizada no ano passado em sete estados do Nordeste e o Pará. O Maranhão cumpriu com 89% das exigências acordadas em 28 itens avaliados pelo Mapa.

Para dar continuidade aos trabalhos realizados pela Aged para alcançar a zona livre de febre aftosa, o governo estadual celebrou convênio com o Mapa, que está sendo utilizado na renovação da frota veicular, com a aquisição de 47 camionetes, 45 veículos de menor porte, além de 78 motos equipamentos de informática, mobiliários e equipamentos de GPS para a reestruturação dos escritórios da Aged.

Além da aftosa, qual outro gargalo o senhor considera importante receber atenção no agronegócio maranhense?

O Estado do Maranhão precisa melhorar sua infra-estrutura para dar melhores condições aos produtores de não só aumentar sua produção, mas também para o escoamento dessa produção. Essa infra-estrutura refere-se à energia elétrica e melhoria das estradas federais, estaduais e vicinais. É importante também que se façam obras estruturantes, como barragens, açudes, terminal portuário etc… que permitam maior aproveitamento dos recursos hídricos do Maranhão, não só para a produção, mas também para navegabilidade, como alternativa de escoamento da produção agrícola.

Divulgamos informações na última edição sobre expansão da área agrícola e da produção de grãos. Como a Secretaria e o governo veem esse crescimento?

O agricultor maranhense está percebendo este novo momento em que o estado do Maranhão está vivendo e por isso responde de forma positiva aos estímulos do mercado agrícola e também do governo do Estado.

No momento em que novos investimentos estão se instalando no Maranhão, é importante que o setor agrícola, que responde por cerca de 22% do PIB estadual, acompanhe esse crescimento econômico e possa diminuir a importação de alimentos.
Comparada com a safra de 2010/2011, a safra 2011/2012 prevê um aumento de aproximadamente 10% na produção maranhense de cereais, leguminosas e oleaginosas, com uma expectativa de produzir cerca de 3,4 milhões de toneladas.

Qual a atual situação sobre a implantação do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram)?

O início das obras de construção do Tegram deve acontecer em meados do mês de agosto, com previsão de conclusão dos serviços no mês de setembro de 2013, quando também iniciam as operações. Atualmente o Tegram está na fase de elaboração do projeto executivo pelo Consórcio formado pelas empresas vencedoras do processo licitatório. Até julho, o projeto será submetido à aprovação da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP).

Como o Tegram contribuirá com a produção do Estado?

Com o Terminal de Grãos que será construído no Porto do Itaqui, haverá a abertura de novos mercados internacionais, sendo um estímulo a mais para os produtores maranhenses, sobretudo para aqueles que produzem grãos e que há anos enfrentam dificuldades de exportar seus produtos. Fazendo uma avaliação da produção de grãos a nível de Brasil, os estados localizados na porção norte do país produzem cerca de 69 milhões de toneladas/ano, destinada ao consumo interno e a exportação via portos do Pará e Pernambuco, por exemplo, o excedente (45,5 milhões de toneladas) acaba sendo direcionado para portos do Sul e Sudeste do país, o que acarreta maiores custos e gargalos logísticos. Com o escoamento pelo Porto do Itaqui, a logística de transporte do agronegócio nacional será modificada. Essa mudança também possibilitará a verticalização da cadeia do agronegócio no Maranhão.

Hoje são exportados pelo Porto do Itaqui 2,5 milhões de toneladas de soja e com a construção do Tegram, que terá investimentos da ordem de R$ 322 milhões, será ampliada a capacidade do Maranhão em armazenar e exportar mais 10 milhões de toneladas de grãos/ano.

É possível fazer um panorama breve do polo produtor de mel no MA. Onde é, o que produz, como, para onde vende, quais as dificuldades enfrentadas e o que pode se esperar da produção estadual de mel?

A maior concentração de mel produzido no Maranhão está situada na região do Alto Turi e Gurupi, composta por 11 municípios, que vendem o mel para os estados do Piauí, Bahia, Ceará e Santa Catarina. Nesta região, situada na área Sudoeste do Maranhão, pratica-se uma apicultura migratória, com uma produção de aproximadamente 1.300 toneladas/ano de mel, atingindo uma produtividade de 32,96kg.

A produção de mel vêm aumentando nos últimos anos no Maranhão e há ainda uma expectativa de investimentos da iniciativa privada para extração e beneficiamento do mel na região.

Para dar apoio a produção de mel no Maranhão, a Sagrima está reestruturando a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel, que se constitui num importante fórum de discussão onde estão reunidos os membros envolvidos com a cadeia produtiva.
Podemos apontar como dificuldades enfrentadas pelos apicultores a falta de assistência técnica, infraestrutura de acesso e produção e dificuldade de acesso ao crédito.

Como o senhor avalia a atual situação em relação ao Código Florestal. É assunto resolvido ou ainda é preciso alguma etapa para tranquilizar produtores rurais do MA?

Precisamos da aprovação do Código Florestal o mais breve possível para que a partir desta legislação, o governo do Maranhão elabore o Zoneamento Ecológico Econômico, o ZEE, que se transformará em lei estadual balisadora do equilíbrio entre a produção de alimentos e a preservação ambiental. O que queremos é buscar uma agricultura sustentável, que produza cada vez mais e que respeite o meio ambiente.

Quais são hoje os principais projetos da secretaria?

A Sagrima está atualmente com foco no agronegócio, com o entendimento de que o pequeno produtor está inserido nas diversas cadeias produtivas existentes no Maranhão. No final do ano passado, por meio do Programa Plantar e Colher no Maranhão, fizemos uma das maiores distribuição de sementes dos últimos anos, quando disponibilizamos a 185 mil agricultores familiares, cerca de 1,8 mil toneladas de sementes de arroz e milho. Estamos distribuindo atualmente 3.250 quilos de sementes de hortaliças e frutas e dando início à licitação de 400 toneladas de sementes selecionadas de feijão.

Estamos implantando no Estado o Programa Água para Todos no Maranhão, que está sob a coordenação estadual da Sagrima e a execução de responsabilidade da Codevasf. No dia 1o de março houve no município de Matões do Norte a instalação da primeira das 4.302 cisternas que serão implantadas inicialmente em 14 municípios maranhenses que estão localizados nas áreas de atuação da Codevasf. O projeto em Matões do Norte, está sendo bastante elogiado pelos gestores da Codevasf e servirá de modelo para outros estados onde está sendo implantado o Programa Água para Todos, que faz parte do Plano Brasil sem Miséria.

As cisternas são de polietileno, com capacidade para armazenar 16 mil litros de água que será captada das chuvas. Além das 4.302, mais 20 mil cisternas serão instaladas no Maranhão, nos outros 102 municípios que pertencem à área de abrangência da Codevasf.
Estamos na articulação para a execução do Projeto Diques da Baixada e daremos início, ainda este ano, às obras de construção do Centro de Difusão e Transferência de Tecnologia de Agricultura Irrigada do município de Grajaú.

Também faz parte das ações da Sagrima a estruturação das cadeias produtivas e dos Arranjos Produtivos Locais e a Promoção da Irrigação em Atividades Agropecuárias.

Na pecuária, a Sagrima e seu órgão vinculado, a Agência de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) estão trabalhando na erradicação da febre aftosa, e a previsão é de que no segundo semestre o Estado seja declarado como zona livre da doença.
No setor aquícola, estamos com foco no fortalecimento da cadeia produtiva da aqüicultura. Faz parte ainda das nossas ações a elaboração de um Plano de Desenvolvimento da Piscicultura Ocidental, da Carcinicultura Marinha e a capacitação para dinamização econômica de Empreendimentos Aquícolas.