Entrevista: José Fernandes Dantas – Secretário municipal de Agricultura, Abastecimento e Produção

O secretário municipal de Agricultura, Abastecimento e Produção, José Fernandes Dantas, é paraibano e mora em Imperatriz há 30 anos. Ele é fundador do povoado “Pé de Galinha”, arraial localizado próximo ao município de João Lisboa, cujo nome é devido à granja que instalou por lá. Quando chegou à cidade não existia avicultura, sendo o primeiro a introduzir este tipo de cultura na região. É pioneiro, também, no mercado de frango assado. Orgulha-se de fazer parte do desenvolvimento de Imperatriz e, principalmente, de ter formado os filhos aqui. Hoje têm dois filhos advogados e uma filha médica – cirurgiã vascular -, todos trabalhando na região. Em entrevista concedida ao Diário da Fazenda, José Fernandes Dantas, comenta o panorama atual do agronegócio na região.

Diego Leonardo Boaventura

Quais as maiores demandas do agronegócio hoje na região?

Olha, realmente é a soja que temos em Balsas, pois somos o segundo maior produtor do grão do Brasil. Hoje já existem algumas indústrias esmagadoras de soja instaladas em Porto Franco, com o objetivo de aproveitar parte da Ferrovia Norte-Sul e facilitar a exportação. Somos grandes produtores de grãos de milho, de feijão, de carne bovina, que distribuímos internamente para o país, mas, também, exportamos. Aqui, a nossa intenção é fortalecer desde a folhagem (hortaliças) e exportar para outras regiões do país, como também levar para o exterior – algo que está acontecendo no Nordeste, mais precisamente no município de Petrolina (PE). Lá, hoje, a cidade exporta frutas e, semanalmente, sai um avião com 600 toneladas de frutas para Europa. Isto também pode acontecer na nossa região.

Quais os desafios que o setor ainda precisa enfrentar até o fim deste ano em Imperatriz?

Os desafios estão ligados exatamente à explosão de crescimento econômico que está acontecendo, não só em Imperatriz, mas na região. Imperatriz, realmente, tem chamado atenção do Brasil. Tem atraído pesquisadores.

Por que ainda não fomos declarados área livre da aftosa?

Isso depende de muitos fatores. As autoridades devem atuar mais, cobrar mais e, sobretudo, planejar mais. Implementar projetos de conscientização, criar espaços para a agricultura, não só a agricultura familiar, mas também a agricultura de médio porte e grande porte. Temos que cobrar dos nossos representantes – deputados estaduais, deputados federais e senadores – medidas que incentivem campanhas de vacinação para que finalmente consigamos ser uma área livre da aftosa.

Como o senhor avalia o impacto do atual Código Florestal no agronegócio regional?

O novo Código Florestal é muito importante, porque não é realmente a floresta que atrapalha a produção agrícola, ao contrário, a floresta soma. Desde que se respeitem as normas ambientais, tudo isso irá somar para o desenvolvimento da nossa região.

Qual o papel da agricultura familiar hoje no mundo do agronegócio da cidade?

A agricultura familiar, hoje, em Imperatriz, está em um grande crescimento. Temos uma determinação do nosso prefeito, Sebastião Madeira, para que a Secretaria se aproxime cada vez mais do pequeno produtor, pois é dele que nós precisamos, é dele que vem realmente o alimento da nossa mesa. Os grandes produtores pensam na exportação, já o pequeno produtor pensa em produzir o alimento e levar à mesa do cidadão.

Qual a contribuição do agronegócio para o crescimento visível que Imperatriz passa nos últimos meses?

A contribuição do agronegócio é muito grande. Imperatriz é o maior centro distribuidor da nossa região. São dezesseis municípios que dependem de Imperatriz. Tudo que esses municípios produzem vem pra cá e daqui é distribuído. O grande problema hoje não é só produzir, e sim a comercialização. Como principal eixo de distribuição, a cidade fornece produtos para mais de dois milhões de habitantes, num raio de cobertura que varia de 400 a 500 km.

A Secretaria de Agricultura é um desafio, em particular para encontrar um nome que tenha familiaridade com o dia a dia do produtor. Como o senhor chegou à pasta e como avalia seu trabalho nesses quase quatro anos?

No início foi dramático, porque a gente quando entra pensa que tudo está favorável. Mas a pasta de agricultura municipal anteriormente – eu não quero diminuir ninguém – parece-me que dependia principalmente de um matadouro. Nós hoje já fizemos um levantamento de todos os pequenos e médios produtores. Temos um cadastro, temos 38 associações e, dessas 38, a secretaria tem 1614 pequenos produtores cadastrados. Nós damos assistência técnica, orientação para preparação do solo, correção, distribuição das sementes, principalmente ao pequeno produtor. Este pequeno produtor assistido secretaria tira parte da produção para seu sustento e a outra parte o município compra para distribuir por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Esses alimentos são distribuídos nas creches, escolas, abrigos, hospitais e restaurantes populares da cidade. O processo termina lá no Banco do Brasil, onde cada produtor tem sua conta. Então, esse é o processo, é dar assistência lá na roça, adquirir a produção, e repassar o valor para cada produtor.