Fazenda Arco-íris: referência em gado de elite

Diário da Fazenda

Das cinco propriedades rurais que os irmãos Kyt – Gerson, Gilson e Tadeu – mantêm no Maranhão e no Pará, em atividade agrosilvopastoril, foi na Fazenda Arco-íris que resolveram investir no ramo que fez da família referência não só no Estado, mas também no Pará: a criação de Gado de Elite.
“No ano passado ficamos em primeiro lugar no ranking da ACNB para os criadores do Maranhão e em terceiro na classificação do Pará”, comemora Gerson.

Os bons resultados são vistos na baia. Entre os animais da fazenda que prometem trazer mais prêmios em 2012 estão um touro de 27 meses que já pesa uma tonelada. Há, ainda, outro bezerro, filho de Bitelo – número um do ranking nacional –, e que em um ano já alcançou a marca de 518 quilos. “É um recorde de peso para a idade na fazenda”, comenta o proprietário.

Em apenas 515 hectares de terra o grupo mantém hoje 900 cabeças de gado PO e uma meta audaciosa: “Nosso propósito é gerar 400 touros reprodutores por ano, além de um time de pista compatível com os melhores criadores do cenário nacional”.

O mercado é tão promissor que os irmãos já começaram a ampliar o espaço. Novas baias estão sendo construídas. “Vão abrigar mais 24 animais de pista”, explica.

Isso tudo para dar conta da procura e apurar melhor a genética. Segundo Gerson, hoje, a fazenda não tem dificuldades para negociar seus animais e, mais que isso, a demanda é maior que a oferta. “Temos mais compradores do que conseguimos atender”, garante.

E olha que os preços não são dos mais acessíveis. Na Expoimp do ano passado, por exemplo, o leilão do grupo vendeu todos os animais expostos por uma média superior a R$ 9 mil. “Animais para o dia a dia do campo”, explica. Sim, porque o plantel conta com vacas doadoras que valem até R$ 200 mil cada, no cenário nacional. E uma Novilha campeã saiu da fazenda por R$ 37 mil.

Na lida
Mas para chegar a este nível de excelência o trabalho é árduo. “O trabalho com gado de elite é bem diferente dos outros ramos da pecuária. É uma dedicação muito grande. Você tem de estar de olho todo o tempo”, diz.

E estar de olho significa, segundo Gerson, avaliar cada detalhe do bicho para promover os cruzamentos necessários e chegar, depois vários cruzamentos, ao animal mais perfeito dentro das características da raça. “Às vezes você tem um animal que tem um corpo forte e bonito, mas a cabeça é desproporcional, então precisa ter atenção nas escolhas do cruzamento para buscar o melhor de cada genitor”, detalha.

Para isso há dois anos o fazendeiro instalou na propriedade um laboratório de melhoramento genético e fertilização. A cada 21 dias as matrizes são submetidas a uma rotina que começa com ultra-som nas novilhas, seleção e pesagem das receptoras, além do implante para sincronização do cio para a recepção dos embriões de FIV (Fertilização In Vitro). Hoje, nessas condições, cada doadora pode produzir 50 crias por gestação em barrigas de aluguel. “Todo o trabalho aqui na fazenda é feito com essa transferência de embriões”, explica.

Para ajudar no trabalho, além dos peões que acompanham o dia a dia de cada animal, contam com o apoio de cinco veterinários do grupo In Vitro, de Xinguara (PA). “O acompanhamento é diário e a pesagem é mensal para saber o que ganha, além orientar a conversão alimentar e o manejo”, detalha.

Sim, porque a alimentação é outra preocupação para quem vai investir nesse ramo. “Antes de decidir o que se coloca no cocho temos de saber o peso de cada animal. É a partir disso que se calcula a porcentagem de ração e silagem de cada um dos animais de baia”, detalha.

E apesar do trabalho ser grande, Gerson garante que vale a pena. “Antigamente demorava-se 30 anos para obter resultados nesse ramo. Hoje, com genética e tecnologia os resultados já podem ser sentidos em quatro ou cinco anos”, comenta.

Resultado que eles já começam a comemorar, afinal, quando compraram a fazenda Arco-Íris, que havia sido da família Paulo Machado, ainda não sabiam direito que tipo de investimento iam fazer ali. Segundo Gerson, a única certeza que tinham era que não iam mudar o nome da fazenda. “Dizem os mais antigos que dá azar mudar o nome da propriedade”, explica. Ao que parece o ditado popular estava certo!