Grupo JBS-Friboi arrenda frigorífico em Açailândia

Diego Leonardo Boaventura

O grupo JBS-friboi – gigante mundial do setor de carne bovina – adquiriu, por meio de um arrendamento, a operação do Frisama Frigorífico Açailândia. Os produtores da região estão apreensivos e se perguntam se a vinda desta grande empresa expandirá o setor, trazendo segurança aos negócios, ou irá acarretar redução no preço do boi. No entanto, a expectativa é que o JBS possa profissionalizar e melhorar o setor de carne no Maranhão que, há muito tempo, passa por dificuldades.

No total, o grupo JBS adquiriu quatro novas plantas, sendo uma no Maranhão, em Açailândia, e outras três no estado do Pará, nas cidades de Altamira, Eldorado dos Carajás e Novo Repartimento. Essa última ainda está em fase de construção. Recentemente, o presidente do Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural), Sabino Costa, recebeu uma visita de representantes da empresa que, na ocasião, comunicaram o arrendamento da planta de Açailândia. Para o presidente do Sindicato, a vinda de um grupo desse porte para região tem vários aspectos. “Trata-se de um grande frigorífico, um dos maiores do mundo, e é importante porque traz estabilidade ao produtor no que se refere à questão dos pagamentos. Mas, por outro aspecto, um grande grupo tende a ter no país uma concetração e essa, como qualquer outro monopólio, é ruim para o produtor, pois eles poderão, no futuro, influenciar o preço do boi”, afirma.
JBS-Friboi

Em 2007, o JBS consolidou-se como a maior empresa do mundo no setor de carne bovina, com a aquisição da Swift & Company nos Estados Unidos e na Austrália. Com a nova aquisição, o JBS ingressou no mercado de carne suína, apresentando um expressivo desempenho também nesse segmento ao encerrar o exercício como o terceiro maior produtor e processador desse tipo de carne nos EUA. A aquisição aumentou o portfólio da companhia ao incluir os direitos sobre a marca Swift em nível mundial. Hoje, no Brasil, o JBS possui 35 unidades de abates de bovinos, uma unidade de carne em conserva, uma unidade de vegetais, duas unidades de confinamento, sete unidades industriais de lácteos, 23 unidades industriais de couros, uma unidade fabril de colágeno, uma unidade de biodiesel e 16 centros de distribuição.

 Problemas

Entidades ligadas aos produtores rurais no Centro-Oeste fizeram recentemente um “levante” sobre o domínio dos grupos frigoríficos. A denúncia está diretamente relacionada ao avanço do grupo JBS naquela região. A reclamação geral por parte dos produtores em relação ao JBS é que, após a aquisição de algumas plantas, simplesmente, desativaram as mesmas. Sabino Costa espera que no Maranhão não aconteça o mesmo. “Isso gera desemprego, algo muito ruim para nosso produtor. Esperamos que aqui não venha ocorrer isso e que o frigorífico seja ampliado e não fechado”, conclui. A equipe do Diário da Fazenda contatou o JBS, mas não obteve resposta até o fechamento dessa edição.