Lotação de Sistema Silvipastoril Intensivo pode chegar a cinco animais por hectare

Diego Leonardo Boaventura

A pecuária tradicional sempre pregou que o boi só come capim, mito que, aos poucos, está caindo por terra com a prática da chamada pecuária sustentável, modelo que alcança resultados mais lucrativos que o manejo tradicional.

Na fazenda Monalisa, primeira da região a implantar o Sistema Silvipastoril Intensivo (SSPi) e pastejo rotacionado – tendo como forrageira arbustiva a Leucena -, a produção chega a ser quatro vezes maior que a média da região. Enquanto na pecuária tradicional cria-se um animal por hectare, a sustentável coloca quatro ou cinco no mesmo espaço e com maior ganho de peso. Desde 2002 o médico veterinário Mauroni Cangussu, proprietário da fazenda, de 153 alqueires, tem investido nesse novo modelo.

Segundo Mauroni, com o aumento dos preços das terras da região, o custo de produção por animal no sistema tradicional, principalmente em baixa produtividade, fica muito caro. Já no Sistema Silvipastoril Intensivo o custo é menor e a lucratividade maior. “Isso é muito importante para o produtor rural porque otimiza o seu negócio” destaca Mauroni.

Como funciona

O manejo é feito em pequenas áreas de pastoreio, cercada por uma cerca elétrica com apenas um fio, onde encontra-se dois tipos de capim, Massai e Braquiária, junto com a Leucena. “O gado ganha a proteína encontrada na Leucena e energia com o capim, é a combinação perfeita”. O uso intensivo da Leucena tem aumentado a cada dia, graças, principalmente, ao trabalho desenvolvido pelo Centro para la Investigácion en Sistemas Sostenibles de Producción Agropecuária (CIPAV), com sede na Colômbia. Antes no sistema rotacionado convencional, em dez alqueires, a fazenda colocava mais de 100 animais. Hoje, com a evolução para o Sistema Silvipastoril Intensivo e rotacionado, 5,28 hectares da fazenda, o que equivale a mais ou menos um alqueire, são divididos em dez piquetes, mudando os animais de cinco em cinco dias para o outro. Ou seja, o gado passa cinco dias em cada pasto.

Todos na fazenda estão satisfeitos com o novo sistema e percebem a diferença em relação à pecuária tradicional. “Nós já percebemos uma diferença de meia arroba no ganho de peso do gado que está na Leucena em comparação ao que se encontra no pasto”, conta o administrador da Monalisa, Ednan Luís. Confiante com o modelo revolucionário, ele brinca: “as pessoas que ganharam muito dinheiro com o braquiarão terão de se curvar diante da Leucena”. A iniciativa do produtor rural Mauroni Cangussu tem o apoio do Centro Brasileiro de Pecuária Sustentável (CBPS) e da Universidade Federal de São João Del-Rei, de Minas Gerais.