Manejo inadequado compromete expansão do mercado de caprinos e ovinos no Maranhão

Diária da Fazenda

Propriedades pequenas, com 10 animais; ou grandes, com 400 cabeças: Nenhuma no sul do Maranhão adota o manejo adequado dos plantéis de caprinos e ovinos, inviabilizando a expansão do setor na região.

O dado pouco animador está no relatório preliminar de uma pesquisa que pretende mapear 70% das fazendas que criam esses animais no Estado e saber quais as deficiências que estão impedindo que o produtor invista nesse ramo, ainda que o clima e o mercado sejam favoráveis para o setor.
“A criação de caprinos e ovinos por aqui deveria ser vista com uma boa alternativa para um mercado lucrativo. Esses plantéis ocupam espaços menores de terra, o clima daqui favorece, além de o mercado da carne ser bem atraente”, garante a pesquisadora Michele Moreira Martins de Oliveira, doutora em Ciência Veterinária e coordenadora o estudo.

Segundo ela, a falta de higiene no trato com os animais, além de medidas simples como vacinação e suplementação alimentar, fazem com que hoje 45% das fazendas na região tenham seus plantéis acometidos por verminoses e outras doenças. “Numa situação ideal esse valor não deveria ultrapassar a faixa dos cinco por cento”, explica.

Números
De acordo com dados o IBGE, no Brasil os rebanhos caprino e ovino representam 2,1% e 1,7% do efetivo mundial, respectivamente. Os maiores plantéis nacionais estão nas Regiões Sul e Nordeste que, juntas, possuem 91,7%.

No Maranhão a criação de caprinos e ovinos representa 4,01% e 1,39% da criação na região Nordeste e, conforme Michele, apesar de apresentar condições geoclimáticas favoráveis à sua criação, a população destes animais em Imperatriz é muito pequena, sendo estimada em, aproximadamente, 11,5 mil de caprinos e 34,5 mil cabeças de ovinos.

“A queda no número de animais no Estado como um todo e a pequena representação destas espécies na microrregião de Imperatriz pode refletir uma queda da produção e da produtividade destes rebanhos, causada por problemas advindos da má implantação dos manejos alimentar e higiênico-sanitários”, enfatiza.

O estudo, desenvolvido pela Facimp (Faculdade de Imperatriz), começou este ano e só termina em 2013. A proposta é fazer um mapeamento das condições de criação e das doenças mais comuns que acometem essas criações. Serão analisados plantéis em 16 municípios da microrregião de Imperatriz. “Hoje posso dizer que não temos na região nenhuma fazenda modelo na criação desses animais”, destaca.

Doenças
Entre as doenças mais comuns entre cabritos e ovelhas por aqui uma tem merecido destaque: as causadas pelo vírus Lentivírus de Pequenos Ruminantes. Trata-se de um agente que faz com que 25% dos caprinos e ovinos infectados por ele desenvolvam artrite, emagrecimento e complicações respiratórias.

Conforme o relatório do estudo, a infecção causa perdas econômicas significativas como: a diminuição em até 0,3 quilos de peso da cria ao nascer e de 6 quilos no peso das crias até 120 dias, além do aumento em 25% nos distúrbios reprodutivos de cabras, e uma redução média na produção leiteira de 88 quilos de leite/lactação.

“Como não existe tratamento e nem vacina, o controle é realizado pela adoção de medidas de manejo que diminuam o risco de transmissão do vírus”, explica.

Ações que exigem mais uma mudança de postura que de investimentos. Conforme Michele, entre as medidas preventivas estão a separação das crias após o nascimento, evitando o contato com secreções; e isolamento dos adultos; administração de colostro tratado de mães não infectadas ou de vaca; alimentação das crias com substituto do leite, entre outros.

Depois do mapeamento a proposta da pesquisadora é criar uma cartilha de orientação para os produtores.