Mastite bovina reduz até 42% a produção de leite

Diego Leonardo Boaventura

A diminuição da produção de leite é um dos primeiros sinais de alteração na glândula mamária da vaca: cuidado, o animal pode estar com mastite. É o que alerta o professor doutor em medicina veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Manoel Dantas. A mastite, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é uma inflamação da glândula mamária, geralmente causada pela infecção de microrganismos, sobretudo, bactérias. Hoje é a doença mais encontrada nos rebanhos leiteiros do mundo, devido à alta incidência de casos clínicos, alta incidência de infecções não perceptíveis a olho nu (infecções subclínicas) e aos prejuízos econômicos que traz ao produtor. O professor afirma que o problema da mastite no rebanho bovino é o manejo inadequado, e ressalta alguns cuidados básicos de higiene para evitar essa enfermidade. Entre eles, lavar o ubre da vaca com um produto antisséptico todas às vezes antes e após a ordenha. Em relação à situação da doença na região de Imperatriz, o professor narra uma experiência recente em uma propriedade local. “Outro dia mesmo tive em uma propriedade próxima a Imperatriz e de 84 vacas que estavam em lactação, 70 tinham mastite”, conta.

Perdas econômicas

As perdas econômicas que ocorrem causadas pela mastite são devidas à redução na produção, ao descarte de leite e de animais, aos gastos com medicamentos, com serviços veterinários e com o aumento de mão-de-obra e, em alguns casos, à morte do animal. Estudos realizados no Brasil pela Embrapa mostraram que quartos mamários com mastite subclínica produziram em média 25 a 42% menos leite do que quartos mamários normais. Nos Estados Unidos, estima-se que o custo por vaca/ano devido à mastite seja de aproximadamente US$ 185, o que corresponde a um custo anual de US$ 1,8 bilhão. Esse valor corresponde a aproximadamente 10% do total de leite vendido pelos produtores. Deste, cerca de dois terços corresponde à redução na produção de leite devido à mastite subclínica.
Agentes de contaminação

A mastite bovina pode ser causada por uma grande variedade de agentes, incluindo bactérias, microplasmas, leveduras, fungos e algas. Porém, a maioria das infecções é causada por bactérias. Apesar da diversidade de agentes que causam mastite, o primeiro passo para o início do processo infeccioso é a contaminação da extremidade da teta via mão do ordenhador ou copo da ordenhadeira contaminada, ou seja, não existe outra forma de contrair essa doença numa vaca a não ser por via ascendente – a bactéria entra pelo canal galactófago (canal excretor do leite) e se instala no ubre. Às lesões do tecido mamário, as células secretoras se tornam menos eficientes, isto é, com menor capacidade de produzir e secretar o leite. Ocorre também a morte das células e a liberação de enzimas dentro da glândula, que contribuem para agravar o processo inflamatório. Tudo isso prejudica a qualidade do leite e causa redução na produção. Preocupado com esta situação, o professor destaca: “Isso é um assunto de saúde publica, a conjuntura é preocupante, nós já alertamos as autoridades sanitárias nesse sentido, graças a Deus houve uma melhora considerável na região de Imperatriz, mas ainda há muito a ser feito”.